https://ourworldindata.org/grapher/change-in-average-fullscale-iq-by-country-1909-2013?country=ARG~AUS~AUT~BEL~BRA~BGR~CHN~DNK~DMA~EST~FIN~FRA~DEU~IRL~ISR~JPN~KEN~NLD~NZL~NOR~SAU~ZAF~KOR~ESP~SDN~SWE~CHE~TUR~GBR~USA

O “Efeito Flynn” descreve o fenômeno que mostra que o QI (quociente de inteligência) da população mundial tem aumentado consistentemente ao longo do tempo. Para efeitos de comparação, uma pessoa de inteligência mediana nos dias de hoje seria considerada superdotada em 1910, sendo mais inteligente que 98% da população da época.

Credita-se este aumento da inteligência a fatores como educação, exposição à tecnologia e a uma melhor nutrição. Pois bem. Agora vejam o gráfico. Ele mostra o quanto o QI da população destes países mudou ao longo do tempo. Percebam que todos os países mostrados – Argentina, Áustria, Bélgica, China, Dinamarca, Japão, Arábia Saudita, África do Sul, entre outros – mostram o aumento do QI das suas populações (quem quiser, pode entrar no site e adicionar outros países, como o Quênia e o Sudão). Percebam, também, que há uma única linha neste gráfico que está na descendente: neste país, a população PERDEU INTELIGÊNCIA. Pois é. SOMOS NÓS. BRASIL.

A população brasileira PERDEU MAIS DE 9 PONTOS NOS TESTES DE INTELIGÊNCIA DESDE 1930, enquanto fomos mais expostos à tecnologia e nosso acesso à nutrição aumentou exponencialmente. O que perdemos? EDUCAÇÃO. Não é à toa que estamos onde estamos. Somos analfabetos funcionais, analfabetos científicos, temos mais dificuldades que os outros povos em compreender conceitos básicos. E aí, quando a situação se torna complexa, temos muito mais obstáculos que outros lugares em achar soluções para escaparmos dela. Mas a simplificação ou a abstração sem nexo faz com que muitas pessoas tenham a certeza absoluta de que estão certas, mesmo à luz das evidências científicas do mundo inteiro.

É o caso, por exemplo, do tratamento da COVID-19. O mundo inteiro mostra que não há qualquer benefício – e existe um potencial risco – para uso da hidroxicloroquina na doença. Ou do corticoide, que há muito é usado para o tratamento do estado inflamatório grave do paciente crítico, mas aqui é apresentado como droga “contra a COVID-19” até mesmo por entidades profissionais.

Pois bem, nesta terra as pessoas exigem um “kit de tratamento” contra a doença que inclua essas medicações e outras, como azitromicina, ivermectina e zinco, para o paciente recém-diagnósticado, independente da sua gravidade, SEM A MENOR INDICAÇÃO OU BENEFÍCIO, simplesmente “porque no Pará (ou o estado ou a cidade ao lado, tanto faz) estão fazendo e está dando certo”. Ou passam a manipular as medicações, porque já se esgotaram na farmácia local.

Perdemos o discernimento, a noção de perigo, a responsabilidade social. Sem educação não há saúde, economia, infra-estrutura que funcione. Estamos emburrecendo e, ao que parece, bastante orgulhosos disso.